Política
Haddad diz que juros altos pesam mais na dívida do que gastos públicos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o crescimento da dívida pública brasileira está ligado principalmente ao nível elevado dos juros reais, e não a um descontrole das despesas do governo. A declaração foi dada durante entrevista ao UOL News.
Segundo Haddad, o governo conseguiu reduzir de forma significativa o déficit primário nos últimos anos e vem adotando metas fiscais cada vez mais rigorosas. Ele destacou que, mesmo com despesas extraordinárias, como a devolução de valores descontados indevidamente de aposentados do INSS, o déficit do ano passado ficou abaixo de 0,5% do PIB.
O ministro comparou os números atuais com projeções do governo anterior, citando que, proporcionalmente ao PIB, o déficit estimado em 2023 foi bem superior ao registrado recentemente, o que, em sua avaliação, reforça que o principal fator de pressão sobre a dívida é o custo elevado do dinheiro na economia.
Juros e Banco Central
Haddad também avaliou que existe margem para a redução da taxa básica de juros, atualmente em 15%. Mesmo assim, elogiou a atuação de Banco Central do Brasil, sob a presidência de Gabriel Galípolo, afirmando que a instituição tem lidado com problemas herdados, como o caso envolvendo o Banco Master.
Durante a entrevista, o ministro defendeu ainda mudanças na regulação do sistema financeiro, sugerindo que o Banco Central passe a fiscalizar fundos de investimento, função hoje exercida pela Comissão de Valores Mobiliários.
Impostos e política
Ao comentar o apelido “Taxad”, usado por críticos nas redes sociais, Haddad disse não se incomodar e afirmou ter orgulho de ter ampliado a tributação sobre grandes fortunas, offshores, fundos exclusivos e paraísos fiscais. Para ele, medidas desse tipo corrigem distorções históricas do sistema tributário.
O ministro também avaliou que a economia, embora relevante, não deve ser o único fator determinante nas próximas eleições, citando temas como segurança pública e combate à corrupção como preocupações centrais da população. Por fim, afirmou que não tem planos definidos para disputar cargos eletivos e que o assunto ainda é tratado em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

